Skip to content
Amagis - Associação dos Magistrados Mineiros

Renato Casagrande apresenta substitutivo ao projeto de reforma do Código de Processo Penal na CCJ

05 de fevereiro de 2010


Após ter sido aprovado em comissão especial do Senado, o projeto de lei
(PLS 156/09) de reforma do Código de Processo Penal (CPP) começou a
tramitar, nesta quarta-feira (3), na Comissão de Constituição, Justiça
e Cidadania (CCJ). O ponto de partida foi a apresentação dos principais
pontos do substitutivo pelo relator, senador Renato Casagrande
(PSB-ES), que irá recolher emendas à proposta até o próximo dia 19. A
leitura do relatório final ao PLS 156/09 na CCJ, incluindo parecer
sobre as emendas, está marcada para o dia 24 de fevereiro.


Renato Casagrande iniciou sua exposição afirmando que o atual CPP, em
vigor desde 1941, tem servido de instrumento para protelar as decisões
da Justiça, alimentando, por tabela, a impunidade e a criminalidade no
país. Nesta perspectiva, as mudanças sugeridas ao Código – baseadas no
modelo acusatório – buscam garantir a imparcialidade do órgão julgador
e a presunção de inocência do acusado, conforme explicou.


Dentre as principais medidas propostas, está a alteração no prazo de
tramitação do inquérito policial, que hoje é de dez dias para o réu
preso e de 30 dias para o réu solto. Na reforma, fica mantido o prazo
no caso do réu preso, mas amplia-se a tramitação do inquérito para 90
dias se ele estiver liberto. Após a conclusão do inquérito, propõe-se
que os autos não mais tenham o juiz como destinatário, mas o Ministério
Público.


Outra inovação é a figura do juiz das garantias, que intervirá apenas
quando a investigação atingir direitos fundamentais do investigado e
irá decidir sobre as medidas cautelares e probatórias no inquérito
policial. Pela proposta de reforma, ele será o responsável final pelo
controle da legalidade da investigação e ficará encarregado de decidir
sobre pedido de arquivamento, hoje a cargo do juiz vinculado ao
processo.


O novo CPP também amplia o rol de medidas cautelares, hoje restritas a
prisão, liberdade provisória e fiança, e procura resgatar a essência do
habeas corpus, que é a preservação do direito à liberdade de locomoção.
Durante a apresentação, Renato Casagrande queixou-se de que essa
garantia inserida na Constituição de 1988 vem sendo desvirtuada para
protelar o processo judicial e sobrecarregar os tribunais superiores.
Segundo informou, foram protocolados 3.648 pedidos de habeas corpus no
Supremo Tribunal Federal (STF) em 2008. O quadro foi ainda mais
dramático no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que registrou o
ingresso de 26.973 habeas corpus no mesmo período.


Os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e Antonio Carlos Júnior (DEM-BA)
parabenizaram Renato Casagrande pelo trabalho de reformulação do Código
de Processo Penal. Suplicy também aproveitou para assinalar preocupação
da Associação de Juízes Federais do Brasil (Ajufe) de que o novo CPP
suprima o poder de instrução complementar do juiz da ação penal. Renato
Casagrande afirmou que o alarme da entidade não procede porque a
proposta não cerceia, mas assegura toda liberdade para atuação do juiz.


Se a votação do substitutivo ao PLS 156/09 na CCJ não ocorrer no dia 24
de fevereiro, caso seja apresentado pedido de vista, deverá acontecer
no dia 3 de março. Cumprida essa etapa, a proposta seguirá para o
Plenário do Senado.


Fonte: Agência Senado

Compartilhe este artigo