Skip to content
Amagis - Associação dos Magistrados Mineiros

Presídio de Itabira ganha anexo de escola estadual

26 de janeiro de 2017

Indivíduos que estão cumprindo pena no Presídio de Itabira, na região central de Minas, ganharam nesta quarta-feira, 25 de janeiro, um incentivo a mais para a ressocialização e a perspectiva de novas oportunidades, quando estiverem fora das grades. No dia de hoje, foi inaugurado no local um anexo da Escola Estadual Dona Eleonora, que já existe na cidade. A obra, em parte financiada com recursos oriundos de penas pecuniárias, é resultado de parceria entre a Vara de Execução Criminal da Comarca de Itabira, a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap), a Secretaria de Estado de Educação, o Conselho da Comunidade e o Conselho Comunitário de Segurança Pública de Minas Gerais (Consep).

 itabira

O anexo da Escola Estadual Dona Eleonora no presídio ocupa uma área de cerca de 300 metros quadrados. São duas salas de aula, com capacidade para atender 15 alunos cada, e uma biblioteca com um acervo de cerca de 800 livros. “As obras foram todas doadas, em 2015 e em 2016, pela comunidade”, conta a juíza Cibele Mourão Barroso, da 2ª Vara Criminal, de Execuções Penais e de Cartas Precatórias Criminais da comarca. As aulas serão ministradas em dois turnos – manhã e tarde – por professores da rede estadual de ensino; assim, ao todo 60 presos serão atendidos pela escola. Inicialmente, será oferecido ali o ensino fundamental, pois a maioria dos presos ainda não concluiu essa etapa escolar. 

itabira1

Para o espaço que está sendo inaugurado também foram transferidas áreas que ocupavam o anexo principal do presídio: salas de atendimento psicológico, odontológico, médico, assistência jurídica e o parlatório. “A obra teve um custo estimado de R$ 400 mil, sendo que R$ 65 mil são valores oriundos de penas pecuniárias, e o restante foi fruto de doação da comunidade – empresários e pessoas físicas. A população realmente abraçou a iniciativa”, observa a juíza. O presídio possui 450 presos.

 

Aposta na recuperação

“Acreditamos na possibilidade de um tratamento humanizado das pessoas privadas de liberdade e cremos que isso pode fazer a diferença. Iniciativas como essa fazem os presos perceberem que podem de fato se recuperar e que nos importamos com eles”, afirma a juíza. “A escola permitirá que os recuperandos ocupem a mente, encontrem a oportunidade de começar uma vida nova quando ganharem liberdade, e faz com que tenham a certeza de que o Estado e os operadores do direito ainda apostam nele”, acrescenta.

itabira2

O desembargador José Antônio Braga, coordenador do programa Novos Rumos do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), parabeniza a comunidade de Itabira por essa iniciativa, por ter se empenhado em levar a escola pública para dentro dos limites do presídio. “No Novos Rumos, sempre repetimos: ‘Hoje, contido; amanhã, contigo’. Os indivíduos hoje encarcerados irão retornar à sociedade. Quando uma comunidade se conscientiza disso, ela se envolve e apoia iniciativas importantes como esta, que, entre outros benefícios, alivia custos para o Estado”, ressalta.

O desembargador destaca também o mérito da juíza Cibele Mourão, que aproveitou a mão de obra de presos na construção da edificação. “Os recuperandos foram beneficiados com a remição da pena e com o fato de se sentirem úteis e não ficarem entregues ao ócio.” Mas, lembra o magistrado, o benefício maior está nos potenciais resultados da iniciativa para os encarcerados. “Muitos interromperam os estudos ainda na infância e na adolescência; agora, terão uma nova chance, irão também se beneficiar do contato com os professores, que, além dos conteúdos das disciplinas, poderão transmitir a eles valores morais”, acrescentou.

 

Penas pecuniárias

As prestações pecuniárias, que financiaram em parte o anexo da escola estadual, são valores pagos em dinheiro no caso das transações penais – quando é aplicada uma pena não privativa de liberdade ao acusado de um crime de menor potencial ofensivo – ou a partir de sentenças condenatórias. “As prestações pecuniárias ampliam a atuação do Judiciário, ao possibilitar que se destinem aos apenados direitos básicos e essenciais dos cidadãos, como a educação, por exemplo”, destaca o juiz auxiliar da Presidência do TJMG Thiago Colnago Cabral.

O magistrado tem atuado especialmente em ações voltadas para o aprimoramento da justiça criminal, uma das prioridades da atual gestão do Tribunal mineiro, sob a presidência do desembargador Herbert Carneiro.

Fonte: Assessoria de Comunicação Institucional – Ascom
Tribunal de Justiça de Minas Gerais – TJMG 
Foto: Marcelo Albert/TJMG

Compartilhe este artigo