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Amagis - Associação dos Magistrados Mineiros

População de rua é ouvida em audiência pública em Montes Claros

23 de novembro de 2015

Uma audiência pública para discutir os direitos fundamentais das pessoas em situação de rua foi realizada na última terça-feira, 17 de novembro, na Comarca de Montes Claros. Autoridades, representantes de diversos órgãos e faculdades, além de pessoas em situação de rua, estiveram presentes na Câmara Municipal para debater o projeto Rua do Respeito, que busca garantir e promover os direitos e a dignidade da população com trajetória de rua em todo o Estado.

Durante as audiências, que já foram realizadas em Ipatinga, Manhuaçu, Juiz de Fora,  Governador Valadares e Uberlândia, são prestados esclarecimentos sobre as ações previstas no projeto, são colhidas demandas e sugestões e há a mobilização de diversos setores e entidades em prol da iniciativa.

O juiz Richardson Xavier Brant, da 2ª Vara Cível e diretor do foro da Comarca de Montes Claros, participou da reunião e disse que os depoimentos das pessoas com trajetória de rua emocionaram os presente à audiência pública. “Muitos relataram os maus-tratos sofridos na rua e a situação de abandono. Uma das queixas principais foi a da falta de um albergue na cidade. Segundo o próprio movimento que congrega a população que vive nas ruas, Montes Claros tem hoje 300 pessoas nessa situação”, afirmou.

 

Albergue

A partir dos depoimentos feitos durante a audiência pública e da manifestação das autoridades presentes, alguns encaminhamentos já foram feitos. Um deles foi para a construção do albergue. “Solicitei ao Ministério Público que verifique a legislação sobre assistência social e que acione a administração municipal para o cumprimento do que é determinado em relação ao funcionamento do albergue”, disse o magistrado. A sugestão foi para que seja firmado um termo de ajustamento de conduta.

Independentemente da ação do município, o juiz se comprometeu a reunir os diversos setores da sociedade, ainda este ano, para que haja uma mobilização para a construção do albergue, a partir de donativos. Outro encaminhamento que saiu da audiência pública foi a de buscar soluções para a situação das mulheres que estão nas ruas. “Alocá-las em uma república, em princípio, seria uma alternativa simples, que demandaria basicamente o aluguel do imóvel e as despesas básicas, já que a manutenção do local é feita pelas próprias moradoras”, explicou o magistrado. Ele acredita que essa é uma saída simples e que, portanto, pode ser viabilizada rapidamente.

Entre as demandas apresentadas durante a audiência pública, estiveram reclamações sobre o não atendimento dos moradores de rua pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e as abordagens violentas por parte da Polícia Militar e da Guarda Municipal. Assim, as manifestações foram incluídas em ata e serão encaminhadas aos responsáveis de cada uma das áreas.

 

Diagnóstico

O juiz Richardson Xavier Brant disse que outra das iniciativas que deve ser desenvolvida a partir de agora é a elaboração de um diagnóstico, feito pelas faculdades locais, sobre o público contemplado pelo projeto Rua do Respeito. “É preciso documentar que iniciativas já existem e que ações ainda faltam. A partir desse mapeamento, poderemos pensar em soluções”, lembrou.

O magistrado, que representou o Judiciário na audiência pública, afirmou que a população de rua hoje está mais exposta e vulnerável do que os encarcerados. “Na cadeia, o cidadão tem vários direitos garantidos pelo Estado. O mesmo não acontece com quem está nas ruas”, afirmou. Por isso, o juiz acredita que um dos pontos importantes da audiência pública foi a impressão viva e marcante, que ficou em todos os participantes, da necessidade de uma intervenção humanitária urgente para garantir o mínimo de dignidade a essa população.

 

Histórico

O projeto Rua do Respeito: todos temos direito a ter direitos é resultado de um termo de cooperação técnica assinado, em maio deste ano, pelo TJMG, MPMG e Servas. Desde então, as três entidades têm mobilizado, articulado e integrado esforços em prol da população que vive nas ruas, viabilizando ações voltadas para a promoção do exercício da cidadania dessa comunidade.

Entre as medidas pretendidas, estão aquelas voltadas para a profissionalização, para o acesso à Justiça, para a proteção dos direitos, para a reconstrução da vida e para a inclusão social. Além das ações voltadas para as pessoas em situação de rua, é objetivo do projeto sensibilizar a sociedade para os direitos desse público.

Fonte: TJMG

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