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Amagis - Associação dos Magistrados Mineiros

Pioneira no processo eletrônico, juíza Maura Angélica fala sobre sua carreira

28 de março de 2014
Pioneira no processo eletrônico, juíza Maura Angélica fala sobre sua carreira
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Mãe de três filhos e avó de um neto, a juíza Maura Angélica Oliveira Ferreira é magistrada há 17 anos, tendo ainda advogado durante 18 anos, antes de ingressar na magistratura. Formada pela Faculdade de Direito da UFMG, e natural de Belo Horizonte, a magistrada está à frente, desde sua implantação, em 2005, de um projeto do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) de descentralização do acesso dos jurisdicionado à Justiça na capital, no bairro Barreiro, onde está instalado o Fórum Regional do Barreiro, que conta com três varas.

A magistrada é titular da 1ª Vara Regional do Barreiro e coordenadora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania-Central de Conciliação-Unidade Barreiro, que é um setor por onde passam todas as causas antes de serem enviadas aos juízes, para se tentar uma conciliação entre as partes. Em entrevista à Amagis, na série especial do me da mulher, ela conta mais sobre seu trabalho e os desafios das mulheres, tanto na vida pessoal quanto profissional.

Na avaliação da senhora, quais são os maiores desafios das mulheres?

O maior desafio da mulher, tanto na vida pessoal quanto na profissional é, ainda, vencer aquele enorme tabu de que a mulher é inferior ao homem. A mulher tem que se desdobrar para demonstrar que ela capaz de fazer as mesmas coisas que um homem faz e ainda, às vezes, ganhar um salário menor. Ela enfrenta uma jornada de trabalho de oito horas, chega em casa e tem outra jornada de trabalho, como cozinhar, lavar, passar, cuidar dos filhos e até do marido, e esse trabalho não é valorizado. Ainda tem muitas mulheres que sofrem com a violência doméstica

A senhora acredita que a sensibilidade feminina traz elementos diferenciados em suas decisões como magistrada?

 A sensibilidade feminina ajuda muito no exercício da profissão. Nós sabemos ser duras e fortes quando é preciso e, ao mesmo tempo, somos ternas e carinhosas quando isso é necessário. Precisamos dessa mistura para o exercício da judicatura, tanto na área criminal como na área de família.

Como foi o processo de instalação do Fórum Regional do Barreiro?

A descentralização de varas, com a criação do Fórum Regional do Barreiro, foi uma necessidade de se atender à população daquela região que, há muito, pedia por isso, visando à melhoria do serviço para o jurisdicionado, que não precisa se deslocar para a região central a fim de solucionar suas demandas. Temos no Barreiro dois defensores públicos e uma promotoria, o que ainda é pouco para o tamanho da população, pois atendemos a uma comunidade composta de cem bairros com cerca de quatrocentos mil habitantes.  O projeto foi tão importante que a Ordem dos Advogados seção Minas Gerais (OAB-MG) criou uma subseção, próxima ao Fórum Regional, para atender aos inúmeros advogados que militam na região. O Fórum Regional Barreiro tem três varas, todas com competência para julgar causas Cíveis e de Família. Temos ainda o projeto pioneiro do TJMG que é o Processo Judicial Eletrônico (PJe), com o qual todas as ações são distribuídas virtualmente. Foi iniciado há cerca de dois anos, e eu fui a primeira juíza em Minas Gerais a receber, processar e encerrar um processo judicial eletrônico. 

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