Patrus Ananias dá aula na Ejef
Na sequência do Curso de Direitos Humanos na Prática Judicial, oferecido aos magistrados mineiros pela Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (Ejef), do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), o ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, deu uma aula ontem, 27 de outubro, sobre “Os direitos humanos e sua fundamentação filosófico-histórica”.
O curso é credenciado pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam) e organizado em parceria com a Faculdade Jesuita de Filosofia e Teologia (Faje) e a Escola Judiciária Eleitoral Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira.
O 2º vice-presidente do TJMG e superintendente da Ejef, desembargador Reynaldo Ximenes, recebeu o ministro Patrus Ananias e ofereceu-lhe livros jurídicos e outras obras publicadas pela Escola Judicial.
Sobre a realização do Curso de Direitos Humanos na Prática Judicial, Patrus Ananias declarou: “Quero parabenizar a Escola Judicial por esse projeto, porque precisamos sempre de espaço para aprofundar as reflexões e a busca de respostas para os principais desafios que encontramos hoje na sociedade brasileira”.
Reflexão
O ministro apontou pontos importantes de reflexão sobre o ensino social da igreja que, segundo ele, tem como fontes e inspiração fundamentais os ensinamentos e o testemunho existencial de Jesus e a construção no campo da filosofia política do personalismo comunitário.
Inicialmente, Patrus citou as duas grandes correntes filosóficas que, segundo ele, influíram no contexto das reflexões sobre a pessoa e sua inserção na sociedade. A primeira, antes da Era Cristã, surge na Grécia com Platão e Aristóteles, com uma visão política em que a comunidade prevalece sobre o indivíduo.
A outra aparece em época histórica mais recente, no início da chamada era moderna, em que é concebido o pensamento contratualista e individualista. Thomas Hobbes, John Locke e Jean Jacques Rousseau formulam a concepção segundo a qual são os indivíduos que constituem o Estado através do pacto social. A primazia, nesse caso, é do indivíduo, que antecede o Estado. Daí surge o pensamento liberal, fundado no individualismo e que permanece nos dias atuais.
O ministro enfatizou que a tradição cristã, ao longo dos séculos, buscou uma nova concepção na linguagem aristotélica, a “justa medida”. Ele explicou: “Não se trata de uma posição intermediária. Trata-se, mais do que uma síntese, de uma nova e mais ampla compreensão da pessoa humana, da comunidade e do Estado”.
Evangelhos
Segundo Patrus, passagens do Evangelho sobre o bom samaritano, a multiplicação dos pães e outras dão a dimensão da opção de Jesus pelos pobres e excluídos e, ao multiplicar os pães, ele já enfrentava o problema da fome. O ministro esclareceu que, na sua opinião, “é preciso multiplicar para dividir, incluir para crescer”.
Patrus disse acreditar que “não há como se falar em direitos humanos sem utilizar o sentimento da compaixão”. Daí a abordagem aos textos bíblicos, sempre atuais e questionadores, e que mostram a atenção de Jesus com cada pessoa, de maneira muito especial com os mais fragilizados.
O ministro explicou que Jesus sentia compaixão e agia para promover e ajudar as pessoas. “Estavam lançadas as bases da dignidade e dos direitos e deveres fundamentais da pessoa humana”, sustentou Patrus Ananias.
O ensino social da igreja também foi lembrado pelo ministro, ao discorrer sobre a edição das encíclicas, iniciada pela Rerum Novarum (1891), do papa Leão XXIII, e seguida pela Populorum Progressio, de Paulo VI, em que foram citados Jacques Maritain e o padre Lebret, ao adotar o novo paradigma sociopolítico. Patrus encerrou falando sobre as três encíclicas sociais de João Paulo II.
Fonte: TJMG