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Amagis - Associação dos Magistrados Mineiros

OAB-RJ lança campanha para esclarecer mortes por PMs

21 de agosto de 2013


Com
o objetivo de esclarecer mortes registradas como autos de resistência
em operações da Polícia Militar, a Ordem dos Advogados do Brasil no Rio
de Janeiro lança a campanha “Desaparecidos da democriaca: pessoas reais,
vítimas invisíveis”. O lançamento oficial da campanha será no dia 27 de
agosto, na sede da OAB-RJ.


A necessidade da campanha ganha força
ao analisar dados oficiais do Instituto de Segurança Pública, vinculado à
secretaria de Segurança do RJ, que mostra que mais de 10 mil pessoas
foram mortas em confronto com a polícia entre 2001 e 2011. Esse número
deu à corporação fluminense o título de campeã mundial de letalidade.


De acordo com dados da revista Tribuna do Advogado,
órgão de divulgação da OAB-RJ, pesquisa feita pelo Núcleo de Estudos da
Cidadania, Conflito e Violência Urbana da Universidade Federal do Rio
de Jajeito (Necvu/UFRJ), aponta que só em 2005, dos 510 autos de
resistência que somaram 707 mortes, foram instaurados 355 inquéritos
policiais, e três anos depois só 19 haviam se tornado processos. Deste
número, 16 foram arquivados a pedido do Ministério Público, dois ainda
tramitavam e só um tinha resultados em condenação.


O presidente da
Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, Marcelo Chalréo, comparou o
auto de resistência à pena de morte. Para ele, “os autos significam a
banalização da morte, o policial é ao mesmo tempo juiz e executor da
pena.” O advogado defende a regulamentação do crime de desaparecimento
forçado, para que exista um instrumento legal que possa permitir o
devido enquadramento penal para esse tipo de conduta.


Cronograma

A campanha será dividida em três fases. A primeira será um
debate com a sociedade sobre o tema. Na segunda, serão recolhidos
depoimentos e denúncias das famílias de vítimas dos autos de
resistência. E na última, será apresentado os resultados das
investigações e as propostas de solução par ao problema.


Segundo o
presidente da Seccional do Rio, Felipe Santa Cruz, há um desdobramento
da luta pelos direitos humanos e pelo esclarecimento das mortes. “Na
democracia, também é inaceitável que a parcela mais pobre da sociedade
tenha que conviver com essa violência. Não estamos contra os agentes,
hoje eles são treinados para a guerra. É preciso uma polícia
efetivamente cidadã.”


“Enquanto não tratarmos de modo igual as
vítimas da violência policial, nunca teremos uma sociedade que mereça
ser chamada de democrática, ainda que vivamos em um sistema político
democrático”, diz Luciano Bandeira, tesoureiro da OAB-RJ. Ele defende
que a OAB deve atuar contra a violência policial e funcionar como um
elemento indutor desse debate. Ele cita como exemplo a repressão às
manifestações populares das últimas semanas, nas quais a OAB demonstrou
como a advocacia pode ter “ações práticas para resistir ao arbítrio e à
injustiça.”


 


Revista Consultor Jurídico, 21 de agosto de 2013

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