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Amagis - Associação dos Magistrados Mineiros

Magistrados mineiros recebem notificação sobre processo no CNJ

21 de maio de 2010


Mais de 400 magistrados mineiros estão recebendo um ofício do Tribunal de Justiça de Minas informando que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) está aberto a receber alegações referentes a um procedimento administrativo em trâmite no conselho.


Esse procedimento teve origem após uma representação da Associação Nacional dos Magistrados Estaduais (Anamages), tendo como signatário o desembargador Elpídio Donizetti Nunes, que pede a revogação de todas as promoções dos magistrados de Minas Gerais desde o dia 17 de janeiro de 2006 até agora. Caso a representação tenha sucesso, quase metade dos magistrados mineiros, entre juízes e desembargadores, será afetada.


A diretoria da Amagis, durante reunião realizada na semana passada, decidiu constituir advogados para fazer a defesa de todos os magistrados perante o CNJ. O presidente da Amagis, juiz Bruno Terra, disse que a Associação está muito preocupada com essa situação. Ele considera esse um fato jamais visto na história do Judiciário mineiro. “A Amagis não se furtará em cumprir o seu papel de representar as centenas de magistrados potencialmente atingidos, fornecendo advogados necessários à defesa de seus interesses, tanto na esfera administrativa quanto judicial”, afirmou.


Bruno Terra disse ainda ter certeza de que imperará a justiça que o caso requer e que a normalidade do serviço judicial em Minas Gerais prevalecerá. “Não é concebível que quase metade dos juízes em atividade, em primeira e segunda instâncias, no nosso Estado, possa ficar em situação de pendência em sua carreira por uma reclamação dessa natureza”, disse.


O Departamento Jurídico da Amagis está à disposição dos magistrados para quaisquer esclarecimentos, através dos telefones (31) 3079-3499 – nos ramais 3417, 3411 e 3494.


Repercussão


“Um grave retrocesso”. Assim o juiz Hélio Martins Costa, da 3ª Vara Cível de São João del Rei, define a tentativa de anulação das promoções dos magistrados. “É lamentável nos depararmos com uma situação em que se fomenta a divisão, quando a atuação deveria ser voltada, em um amplo diálogo, para a convergência de interesses, em prol de uma magistratura mais forte e melhor estruturada e aparelhada para atender à grande demanda social”, afirmou Costa.


Para o juiz José Humberto da Silveira, da 1ª Vara Cível de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, a representação é um desserviço à magistratura, principalmente “depois que a Amagis lutou tanto para obter os benefícios e conquistas adquiridos pelos juízes nos últimos anos”.


José Humberto não acredita que a representação obtenha sucesso, mas afirma que ela traz instabilidade. “Acho providencial que a Amagis, mais uma vez, saia em defesa dos juízes. Acredito que vamos obter uma vitória sobre essa pretensão absurda da Anamages”, disse.


O juiz Gilson Soares Lemes considera a representação “despropositada”. Ele ressaltou que a Corte Superior do TJMG “é composta por 25 desembargadores honrados, de probidade inquestionável, com largo conhecimento jurídico e experiência na votação das promoções e remoções de magistrados. Os questionamentos da representação colocam em dúvida todas essas virtudes”. O magistrado disse esperar que o CNJ decida com bom senso, arquivando a representação, já que, caso seja acolhida, “trará enormes prejuízos aos magistrados, não só na carreira profissional, como também de ordem material, social e moral,  pois já se deslocaram para outras comarcas com suas famílias, onde têm domicílio estabelecido”.


O vice-presidente de Interior da Amagis, juiz Antônio Carlos Parreira, afirma ser favorável à adoção do critério único de promoção por antiguidade, porém considera a representação da Anamages “inoportuna e prejudicial à magistratura e a todos os promovidos, inclusive aqueles por antiguidade”.


“Acredito na improcedência da representação e entendo correta a posição da Amagis de custear a defesa de todos os magistrados associados promovidos, quer por merecimento, quer por antiguidade”, afirmou parreira.





Para ver o ofício enviado aos magistrados, clique aqui.


Para ver a lista de magistrados promovidos desde janeiro de 2006, clique aqui.


 

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