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Amagis - Associação dos Magistrados Mineiros

Jurista cubana faz palestra no TJ

04 de setembro de 2009


Ninguém pode dormir tranquilo quando há um homem, um só homem infeliz. Com essas palavras, do famoso poeta e escritor cubano José Martí, a jurista cubana Lydia Guevara encerrou sua palestra com o tema “Direitos humanos e dignidade no trabalho na perspectiva do serviço público” no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O evento, realizado na manhã de ontem, 3 de setembro, foi organizado pela Gerência de Formação Permanente da Escola Judicial Desembargador Edésio Fernandes (Ejef), com o apoio dos sindicatos da Justiça de 1ª e 2ª Instâncias (Serjusmig e Sinjus). A palestra foi transmitida por videoconferência para as comarcas de Governador Valadares, Montes Claros e Passos.



Ao abrir o encontro, o 2º vice-presidente e superintendente da Ejef, desembargador Reynaldo Ximenes, saudou a palestrante Lydia Guevara, mencionando o rico currículo da jurista e a relevância do tema escolhido. Lembrou a história de Cuba, que implantou a duras penas regime político-econômico diferente do brasileiro, superando entraves e se destacando no cenário mundial nas áreas da saúde e educação. Falou da importância de se melhorar o ambiente de trabalho, certo de que a contribuição de quem já percorreu o mundo, como Lydia Guevara, será de grande proveito. Na oportunidade, presenteou a jurista com publicações sobre o TJMG e a Escola Judicial.



Após agradecer as palavras carinhosas do desembargador Reynaldo Ximenes, a jurista e professora Lydia Guevara iniciou seu pronunciamento abordando os direitos imateriais das pessoas, ou seja, aqueles que contribuem para a autoestima do cidadão e que devem ser respeitados. São os direitos relacionados a saúde, trabalho, honra, tutela judicial e educação, dentre outros. Definiu a dignidade como o princípio que norteia todos os direitos, devendo esse princípio ser respeitado pelo Estado e por todos que nele vivem. A palestrante ressaltou que não pode haver divisão entre os direitos do cidadão e os do trabalhador.



Apresentou o conceito de saúde no trabalho, compreendido pelo estado de bem-estar físico, psíquico e moral, e não pela ausência de enfermidades e acidentes de trabalho. Sobre a violência no trabalho, citou a definição da Organização Internacional do Trabalho (OIT): qualquer ação no exercício da atividade profissional que traga ameaça, agressão e humilhação para o trabalhador. Ela abordou ainda tipos de violência próprios da administração pública, citando a violação das normas vigentes, a desigualdade salarial, a subutilização das pessoas e os concursos fraudulentos como exemplos.



Assédio Moral



O assédio moral foi apontado pela professora como forma de violência no trabalho, ao denegrir, discriminar, humilhar o trabalhador e atacar a sua dignidade e integridade moral. Falou dos elementos considerados para tipificação desse tipo de conduta (uso abusivo do poder, ato freqüente e repetitivo, intenso e grave, dano causado) e das estratégias preventivas (tutelas inibitória, punitiva e ressarcitória).



A palestra, que foi seguida de debate, contou com a participação do coordenador-geral do Sinjus, Robert Wagner França, do 2º vice-presidente do Serjusmig, Rui Viana da Silva, do psicólogo e jornalista Arthur Lobato, de magistrados, servidores e convidados.



Fonte: TJMG 

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