Skip to content
Amagis - Associação dos Magistrados Mineiros

Em cerimônia rápida, Gilmar Mendes abre ano do Judiciário

03 de fevereiro de 2009


Na breve solenidade de abertura dos trabalhos dos tribunais superiores, na manhã de ontem, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, afirmou que “a Corte tem a real dimensão de que não lhe cabe substituir-se ao legislador, muito menos, restringir o exercício da atividade política, de essencial importância no Estado constitucional”. A seu ver, “legislador democrático e jurisdição constitucional têm papéis igualmente relevantes nos Estados constitucionais contemporâneos, sendo a interpretação e a aplicação da Constituição tarefas cometidas a todos os poderes, assim como a toda a sociedade”.



A cerimônia – que não durou mais de meia hora – não contou com a presença dos até então presidentes do Senado, Garibaldi Alves, e da Câmara, Arlindo Chinaglia – atarefados no Congresso com o processo eleitoral de seus substitutos. Eles enviaram breves mensagens, que foram lidas por Gilmar Mendes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva – reunido com o Ministério na Granja do Torto – foi representado pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, que leu mensagem presidencial de 50 linhas.



Direitos fundamentais



Gilmar Mendes deu ênfase ao “tratamento ímpar” que o Supremo tem dado à proteção dos direitos fundamentais de caráter processual e às garantias jurisdicionais para a proteção da ordem constitucional. E citou algumas decisões que tiveram “importante significado na efetivação dessas garantias”, como a vedação ao uso abusivo de algemas, além de registrar “os esforços do Poder Judiciário como um todo, no último ano, de zelar por essas garantias, como demonstra a drástica redução das interceptações telefônicas verificada pelo Conselho Nacional de Justiça”.



“Repita-se que o cumprimento da difícil tarefa de assegurar que os direitos e garantias declarados no texto constitucional tornem-se realidade efetiva para toda a população brasileira não importa interferência negativa nas atividades do legislador democrático”, disse Gilmar Mendes.



O presidente do STF destacou os avanços da Corte durante o ano passado, com a edição de súmulas vinculantes, por exemplo, e disse que “um desafio maior se impõe à sociedade brasileira como um todo: é preciso acabar com a velha mentalidade de que, no Brasil, o reconhecimento e a concretização de direitos só se dá por meio judicial”.



“A judicialização pura e simples, por excessiva, além de se afigurar como uma das causas da morosidade processual, acaba desaguando no conhecido círculo vicioso em que mais processos demandam mais juízes, mais cargos, maior infra-estrutura e, assim, infindáveis recursos a fim de manter, sempre em exponencial inchaço, a máquina administrativa necessária para fazer frente a atividade que deveria ser meio de pacificação social, nunca um fim em si mesma”.



Independência dos poderes



Na mensagem lida pelo ministro Tarso Genro, o presidente Lula ressaltou que “vivemos, felizmente, uma época marcada pela solidez de nossas instituições democráticas”, e que “essa normalidade só é possível graças à harmonia e à independência que marcam as relações entre os três poderes da República”. Destacou ainda “os esforços que o Judiciário vem empreendendo no sentido de se tornar cada vez mais ágil e eficiente e – sobretudo – ainda mais próximo das comunidades e mais acessível a todos os cidadãos”.



O presidente referiu-se ao pacto entre os poderes da República, firmado em 2004, e a um segundo pacto que “definirá os principais projetos de lei a serem priorizados para continuarmos aperfeiçoando o sistema normativo brasileiro e dotando a Justiça de mais agilidade e efetividade”.



O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, em seu pronunciamento, disse esperar que o STF reconheça, ainda este ano, o poder de investigação criminal do Ministério Público, um dos assuntos mais polêmicos constantes da pauta do tribunal.


(Matéria publicada no jornal Gazeta Mercantil, edição de 03/02/2009)

Compartilhe este artigo