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Amagis - Associação dos Magistrados Mineiros

Desembargador Gambogi diz que Judiciário deve formular respostas às demandas sociais

25 de junho de 2013
Desembargador Gambogi diz que Judiciário deve formular respostas às demandas sociais
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O número de ações judiciais não para de crescer e o Poder Judiciário precisa encontrar formas de responder às novas necessidades da sociedade. Para o desembargador Luís Carlos Gambogi, da 5ª Câmara Cível do TJMG, a mudança passa pela aproximação da Justiça com a sociedade e também pelo conhecimento produzido nas universidades. Doutor em Filosofia do Direito pela UFMG e professor universitário, Gambogi concedeu entrevista à reportagem da Amagis. 





Quais são os desafios do Judiciário do Século XXI? Essa é uma preocupação dos magistrados e operadores do Direito?


Esse é um assunto que diz respeito à sociedade brasileira. Temos observado alguns fenômenos que acontecem em nossos dias, que demandam o debate constante entre o Judiciário e a sociedade. A massificação, por exemplo. Nunca, na história da humanidade, houve tanta procura pelo Judiciário. E não é apenas no Brasil, é no mundo. Isso se dá por que ingressamos em uma sociedade altamente complexa e plural, de modo que hoje é impossível falarmos em um ethos, é preciso falarmos em ética, não moral, mas em morais. É preciso falar não em Direito, mas no Direito compreendido como um instrumento de organização de uma sociedade plural.





Como conciliar o atendimento a essa enorme quantidade de processos com a qualidade das decisões?


Esse é um dos principais problemas que precisa ser discutido. O fato de termos uma grande massificação e de trabalharmos com praticamente a mesma estrutura tem nos levados a criar teses jurídicas e, a partir de teses, decidir questões, quando o ideal seria que cada processo fosse trabalhado na sua singularidade, à luz dos aspectos que são intrínsecos a cada um deles. Mas isso se tornou impossível. A ministra Carmen Lúcia, do STF, disse uma frase simples, que traduz o que quero dizer: foi-se embora a fase do intérprete artesanal e estamos em uma fase da industrialização de sentenças. 





Recentemente, foi lançada a Frente Parlamentar Pelo Aperfeiçoamento da Justiça, na Assembleia de Minas, por sugestão da Amagis. Como o senhor vê essa iniciativa?


Essa notícia é extremamente alvissareira. É o prenúncio daquilo que precisamos fazer: aproximar o Judiciário das outras instituições, sobretudo do Legislativo, para travarmos os debates necessários e, a partir disso, construirmos as alternativas para o aperfeiçoamento do Judiciário.





Como professor, como o senhor avalia o ensino jurídico hoje no país, com tantas faculdades?


Penso que a questão central não está no número de faculdades e sim em qual é a proposta dessas faculdades. Penso que as faculdades existentes, ou as que vierem a existir, desde que produzam um bom trabalho, serão sempre muito bem-vindas. Não obstante, não é possível que continuemos com faculdades que se resumem a reproduzir o conhecimento. Isso é muito pouco, diante dos desafios que temos. É preciso produzir conhecimento. E, a partir dessa produção, teremos condições de alimentar a intelectualidade jurídica e o próprio meio judicial para que, a partir dessas concepções teóricas, possamos responder às demandas da sociedade.  


 


 


 


 


 


 


 

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