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Amagis - Associação dos Magistrados Mineiros

Artigo – Suprema hipocrisia

23 de setembro de 2013


Frustrante
para muitos, correta para outros, a decisão do STF de garantir um novo
julgamento a doze réus do mensalão revela a suprema hipocrisia dos políticos
brasileiros, sem distinção.




Desde que um dos seus não esteja sentado no banco dos réus, nossos políticos
são de uma coragem e braveza sem iguais na defesa da cadeia imediata para
criminosos envolvidos em casos de corrupção.




Basta fazer uma pesquisa para encontrar petistas, peemedebistas, tucanos,
democratas e afins gritando, em alto e bom som: só pobre vai para cadeia no
Brasil, bem-nascidos sempre escapam à custa de advogados milionários que usam e
abusam de recursos para protelar a execução de sentenças.




No discurso, tese linda e popular de ser defendida. Na prática, a realidade
poderia ser outra, mas nossa classe política sempre evitou atacar de frente tal
injustiça. Motivo: o deputado ou senador de hoje pode muito bem ser o réu de
amanhã.




Afinal, bastaria que o Congresso aprovasse nova lei reduzindo, de fato, o
universo dos recursos judiciais, acabando, por exemplo, com seu uso meramente
protelatório.




Mas isso sempre esbarra no instinto de sobrevivência dos nossos parlamentares.
Realidade bem exposta pelo ministro Celso de Mello, ao definir que os réus do
mensalão terão direito a novo julgamento por meio dos embargos infringentes.




Em 1998, apontou Mello, o Congresso, com o apoio de tucanos, pfelistas e
petistas, rejeitou o fim dos embargos infringentes, que hoje servem aos
objetivos dos mensaleiros para tentar mudar suas condenações no próprio
Supremo.




Não estou discutindo se tais embargos existem ou não, apenas tentando mostrar
que não há mocinho nessa história. Afinal, em 98, os congressistas legislaram
em causa própria. Ali, rasgaram seus discursos e buscaram se proteger de
futuros infortúnios. Para não correrem o risco de ver o sol nascer quadrado.




Autor: Valdo Cruz


Folha de São Paulo


 

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